Há alguns meses fui convencido por uma amiga a ir ao “Saideira”, festa que finaliza o “Comida de Buteco” em BH. Como todo ano me prometia ir e acabava enrolando ou preso a outro evento qualquer, resolvi aceitar desde que o local fosse acessível.
Durante a semana procurei uma das organizadoras do evento que me garantiu ter acesso por rampas e entradas facilitadas. Ainda frisou que apenas um dos pisos do galpão (eram 4) teria piso de britas, e nesse ficaria complicado.
Ok! Três pisos seriam suficientes para ouvir os shows (sim, ouvir, sentado é praticamente impossível assistir um show no meio da multidão meu caro) e provar os tira-gostos dos butecos participantes. Ingressos (caros) comprados e lá vamos nós!
Bem, para os 15mil participantes e a direção do evento o local podia ser acessível, mas para as minhas baterias e rodas, as rampas pareciam preparadas para saltos de bicicross e o piso perfeito para um ralí!
É claro que não durei 2h alí, sair foi outro “parto” e até chegar ao shopping que fica ao lado foi uma grande aventura desviando de buracos, carros, ambulantes, degraus e toda a sorte urbana.
Quando já estávamos sãos e salvos na mesa de um restaurante, a amiga, desde os tempos de colégio, comenta que “não sabia como era difícil atravessar uma rua ou multidão”. Em todos esses anos ela nunca havia parado para observar esses detalhes.
Foi daí que percebi que a maioria dos obstáculos urbanos existem por pura e simples falta de percepção dos responsáveis. O organizador do “Saidera” se prepara para receber 15mil pessoas e não é obrigado a se preocupar com público especial (só é obrigado e informar corretamente), o mesmo ocorre com o proprietário do buteco, restaurante, cinema, loja…etc, etc, etc.
Como na maioria das vezes, para os demais, um degrau é só um degrau, isso passa batido e não realizam uma alteração simples no local.
Dessa “falta de observação” percebi que para haver mudanças é preciso mostrar a necessidade àqueles que não a percebem no dia-a-dia, e daí surgiu a ideia de escrever esse blog sem pretensão de elevar bandeiras ou criar novas obrigações.
As mudanças devem ser realizadas de forma consciente e por desejo de cada um, mantendo-se o respeito mutuo!